Reitoria reafirma posição contrária à substituição das aulas presenciais por EAD e ressalta a importância da autonomia financeira das universidades

19/04/202012:34

Diretoria de Comunicação da sportingbet

Nota de Esclarecimento

Diante da declaração do Ministro da Educação de que os alunos das universidades deveriam pressionar os reitores para a adoção da educação a distância, a Uerj reitera as razões pelas quais não substituiu as aulas presenciais pela EAD, conforme informado à comunidade em 24/3/2020.

Embora reconheçamos a importância da educação à distância, e de estarmos utilizando essa modalidade em vários cursos, muitos deles em parceria com a Fundação Cecierj, cremos que a migração automática dos atuais cursos de ensino presencial para a EAD, em nossa universidade, traria mais problemas do que soluções pelas seguintes razões:

a) todos os nossos cursos de EAD são criteriosamente preparados com especificidade para essa modalidade, a fim de garantir a qualidade do ensino da Uerj também para os seus alunos não presenciais, o que não seria garantido pela mera transposição, sem o necessário tempo para preparação de nosso corpo docente para as novas metodologias;

b) pelo perfil social do nosso corpo discente, em grande parte digitalmente excluído, a migração do presencial para o EAD levaria à segregação de muitos alunos e, mesmo neste momento de pandemia, temos a convicção de que não podemos deixar ninguém para trás;

c) estamos passando por um período em que a maior preocupação das pessoas é com a sobrevivência e subsistência, não havendo a tranquilidade necessária, seja para professores ou alunos, para o desenvolvimento adequado das atividades acadêmicas regulares;

d) todo o foco da Uerj neste momento está voltado para a salvação de vidas, seja pelo isolamento social, seja pelo atendimento à população em nossas unidades de saúde, que vêm recebendo o apoio material e humano de todas as demais unidades acadêmicas e administrativas.

Temos a consciência que superada a pandemia, estaremos diante de um novo mundo, que exigirá novos saberes e novas competências. Por essa razão, e a despeito de tudo o que foi acima delineado, estamos desenvolvendo mecanismos de mediação tecnológica entre nossos professores e alunos para que os saberes acumulados sejam compartilhados, a partir de uma reflexão sobre o período que estamos vivendo e as perspectivas para o futuro, quando vencida a pandemia, visando ao enriquecimento da função social da universidade pública.

Apesar dessas atividades não terem controle de frequência e avaliação, o tempo de isolamento social não será academicamente perdido. Sairemos desse período mais preparados para vivenciar os novos tempos e utilizar as novas metodologias de aprendizado.

Por fim, cumpre lamentar que o Ministro da Educação ameace com a redução de recursos as universidades que não aderirem às políticas do governo federal que contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as determinações de governadores e prefeitos.

Seu raciocínio de que, em face da autonomia universitária, não pode mandar as universidades retomarem suas atividades, mas pode retirar os recursos daquelas que não aderirem às políticas do governo federal, prova duas coisas.

A primeira é a importância da autonomia universitária, não só para as próprias universidades mas para toda a população e para a democracia. A segunda é que a autonomia universitária não tem efetividade sem autonomia orçamentária, garantida pelo pagamento de duodécimos mensais, livres de contingenciamentos arbitrários.

Rio de Janeiro, 19 de abril de 2020.

Ricardo Lodi Ribeiro

Reitor da Uerj